O que a crise fará com a gift economy?

Não é a primeira vez que me deparo com um texto falando sobre os efeitos da crise econômica sobre a Gift Economy (esse novo modelo econômico de contribuição gratuita que faz, por exemplo, a Wikipédia ser um dos maiores sites do mundo). A maioria deles tinha uma visão negativa, defendendo que, mais pobres, as pessoas deixariam de lado a vaidade de contribuir online para se concentrar na sobrevivência. Essas análises sempre me deixarma uma sensação estranha, como se algum conceito estivesse perdido nesse bolo. Não conseguia aceitar que toda a Web 2.0 (fundamentalmente erguida sobre a Gift Economy) pudesse ser tão frágil.

Lendo o blog do Chris Anderson ontem, as coisas clarearam pra mim. Em seu post sobre os significados da recessão para o Free, ele toca três pontos: sites suportados por propaganda, os Freemium (que a maioria dos usuários usa de graça e uma pequena parte paga, como o Flickr) e a Gift Economy. Suas idéias:

Sites suportados por propaganda: Vão perder; menos que os negócios offline, mas mesmo assim vão ver um arrefecimento no crescimento dos budgets.

Freemium: Ele vê um cenário moderadamento positivo, visto que ‘de graça’ é um bom preço para quando se está sem dinheiro. E como só 5% dos usuários tem que pagar para que o site dê lucro (segundo ele), as perspectivas são boas.

Gift Economy: Aqui é que a coisa pega. É fácil imaginar que, apertados pela crise, os consumidores comecem a não dar a mínima para os verbetes da Wikipédia, blogs e outros 2.0. Mas o Chris Anderson lembra de dois conceitos basilares nesse tipo de contribuição: reputação e spare cycles.

Ele lembra que as pessoas, desempregadas, terão que cuidar de sua reputação online para conseguir outra ocupação. Ou seja, a consequência seria mais engajamento em blogs e sites participativos.

Além disso, ele fala do principal gerador da Gift Economy: os spare cycles por que passam as pessoas, que seriam meio que a matéria escura dos seres humanos. Em física, a matéria escura ocupa mais de 90% do Universo, é difícil de detectar, obscura, e tem muito mais energia do que a matéria que conhecemos. Pra ser menos nerd (ou poético, depende da sensibilidade), spare cycles são o que fazem as pessoas agirem assim:

E o melhor de tudo: spare cycles são mais fortes quando as pessoas tem mais tempo livre. Assim, a crise nos reserva “um boom de criatividade e compartilhamento online”.



Wall Street Pong

Em tempos de crise, não deixe de lado o bom humor.

Bem bolado: WallStreetPong

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