Foi no bar do seu Biu que tudo começou

“O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender
cachaça ‘na caderneta’ aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase
todos desempregados.

Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço
da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam
pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso
de ‘emibiêi’, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem,
afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao
estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis ‘zécutivos’ de bancos, mais adiante, lastreiam os tais
recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS
ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que
quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros alavancam o mercado de
capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos na BM&F,
cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios,
com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bebuns da Vila Carrapato não têm dinheiro
para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia
desmorona.”

Publicado na coluna de Fernado Canzian.



COMENTÁRIOS

2 Comentários para “Foi no bar do seu Biu que tudo começou”

  1. Biu Clinton em 24/09/08 4:52 pm

    Moral da história: dívidas e outras cositas mais de bêbado não têm dono!

  2. Alessandro Guidini em 26/09/08 10:46 am

    Sensacional André.
    Bidú o seu Biu.

Tem algo a dizer?