Arte e desalojamentos

Que chata seria a arte se ela tivesse que se ater a bom senso, bom gosto ou ética.

"The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living", de Damien Hirst

"The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living", de Damien Hirst

Deixei escapar este post semana passada, mas nunca é tarde demais para dar pitacos em uma discussão que (graças a Deus!) nunca terá fim.

Dias depois do “ataque” à Galeria Choque Cultural aqui em São Paulo, o mundo da arte tomou uma de suas maiores chacoalhadas dos últimos tempos com o leilão de Damien Hirst na Sotherby´s em que o artista passou por cima de seu galerista e vendeu uma série de suas obras (todas paródias entre sí) pela quantia recorde de 111 milhões de libras.

Claro, diversas vozes se levantaram para falar de ética e embuste; o mundo milionário das galerias de arte está estremecido. No meio dos revoltados e amedrontados (que mimetizavam as manifestações do caso Choque), me chamou a atenção a bela posição de Márcia Fortes, da Gaçeria Fortes Vilaça neste texto da Folha. Destaco o final:

“Mas Damien conseguiu de novo -implodiu regras vigentes e explodiu especulações. Dessa vez, o “tempero” extra é a anunciação da morte do galerista. Claro que poucos artistas no mundo se beneficiariam com isso, a maioria sofreria fracassos vergonhosos nos leilões. Mas isso me intriga bastante -poder imaginar um mundo onde minha profissão esteja extinta e eu, bem, finalmente livre para me reinventar.”



COMENTÁRIOS

Um Comentário para “Arte e desalojamentos”

  1. Fabio Calvetti em 22/09/08 11:44 am

    Luis,

    A discussão fica ainda melhor se adicionarmos a notícia divulgada ontem de que o leilão teve lances de amigos e sócios de Hirst (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u447300.shtml). É a melhor explicação para as cifras recordes num leilão ocorrido no dia posterior à quebra das bolsas pelo mundo.

    Isso muda completamente o texto de Márcia Fortes no trecho “O mais admirável é que o artista joga pesado e joga aberto, apostando todas as suas fichas. Se as vendas tivessem sido fracas, ele teria autodetonado a sua bem-sucedida carreira.”

    Se a notícia for verdadeira, esta autodetonação era impossível. Resta a dúvida de quem foi o palhaço na história. O artista? Os galeristas? Os sócios que investiram no leilão? Ou os “colecionadores” que deram lances recordes? Acho que todos, exceto o artista, que conseguiu magistralmente fazer uma nova paródia, desta vez com o milionário mercado das artes.

Tem algo a dizer?